20 de mai de 2013

Números Perigosos

O Número da Besta: Muitas religiões dependem muito do simbolismo dos números e usam métodos numéricos especiais para descobrir ou ocultar segredos. Nos primeiros anos do cristianismo, os romanos estavam usando como talismã o quadrado mágico do Sol. 


O quadrado mágico do Sol foi um dos símbolos mais importantes utilizados para representar o Sol na antiguidade por causa de todo o simbolismo que envolvia o número perfeito $6$. Há $6$ lados num cubo, a soma ou multiplicação dos número $1$, $2$, $3$ resulta em $6$ e a soma de todos os número de $1$ a $36$, dispostos em $6$ linhas por $6$ colunas, resulta em $666$. O quadrado é mágico porque as linhas, colunas e diagonais somam sempre $111$. Após a Igreja dominar o Império Romano, quem possuísse o diagrama poderia ser queimado na fogueira, já que no cristianismo o número $666$ é O Número da Besta!


Não aos Negativos: Na Europa durante a Renascença, os números negativos não eram reconhecidos. Soluções para problemas matemáticos que incluíam números negativos muitas vezes eram descartadas. Apesar dos antigos matemáticos chineses e indianos terem explicado o uso dos números negativos, geralmente relacionando-os com débitos econômicos, os matemáticos na Europa lutavam contra eles. Por exemplo, o matemático alemão Michael Stifel $(1487-1567)$ chamou de "números absurdos" os números menores do que zero. O matemático francês Albert Girard $(1595-1632)$ provavelmente foi o primeiro acadêmico importante a aceitar totalmente os números negativos em soluções, mas só no início do século $XIX$ que houve um fundamento adequado para a aritmética com números negativos.

"É controvertida a questão dos números irracionais existirem ou não. Porque ao estudar as figuras geométricas, onde os números irracionais nos abandonam, os números irracionais ocupam seu lugar e mostram precisamente o que os números racionais são incapazes de mostrar... somos motivados e obrigados a admitir que eles estão corretos ..."
Michael Stifel

Dígitos Perigosos: O número $666$ não é o único número específico a ser demonizado. Na China é ilegal usar a data do massacre da Praça Tiananmen (Praça da Paz Celestial), $8964$, referenciando o dia $4$ de Junho de $1898$, como senha ou número $PIN$, ou em qualquer outra forma que possa veicular esse número com o evento. Somente é aceito como próximo número na sequencia natural de contagem. Assistam a este vídeo e a este também.

Nos EUA, há um número hexadecimal de $32$ dígitos que adquiriu o status de número ilegal. Ele é a chave para a codificação de DVDs de alta definição e sua publicação é tecnicamente ilegal, pois o uso dessa chave com o mecanismo apropriado tornaria possível decodificar os DVDs. O AACS (Advanced Access Content System) declara que ele é um copyright circumvention device (uma espécie de dispositivo de proteção de direitos autorais) e a posse de um copyright circumvention device é uma transgressão à Digital Millenium Copyright Act. No entanto, pouco tempo após ele ser revelado, o número secreto foi publicado em $300.000$ web sites e as tentativas de removê-lo do domínio público foram totalmente inúteis. O número é este:

F9 09 11 02 9D 74 5B E3 D8 41 56 C5 63 56 88 C0

A AACS declara possuir muitos outros números usados para encriptação, mas não dirá o que eles são, claro!


O Número Zero: O pensamento dos antigos gregos era geométrico o bastante para que pudessem desenvolver uma aritmética onde figurasse o número zero. Pois como mensurar uma forma de tamanho zero?

Em grande parte, a influência de Aristóteles e seus discípulos, representava uma visão de mundo que via os planetas e estrelas como inseridos em uma série de esferas celestes concêntricas de extensão finita. Essas esferas, todas centradas na Terra, estariam preenchidas com uma substância etérea, e postas em movimento por um "motor imóvel". A filosofia cristã, viu no motor imóvel uma identidade de Deus, e uma vez que não havia lugar para um vazio nesta cosmologia, seguia-se a ideia de que tudo que fosse associado ao vazio era um conceito que negava também a existência de Deus.

Por volta de $628d.C.$, Brahmagupta foi o primeiro matemático a tratar os números como quantidades puramente abstratas. Isso o permitiu transcender o pensamento geométrico e entrar no mundo dos números negativos. Com as ideias de Copérnico, revelando que a Terra se move em torno do Sol, lentamente a matemática europeia começou a livrar-se dos grilhões da cosmologia aristotélica.

O sistema cartesiano de René Descartes unificou a álgebra e a geometria colocando o zero como coração imóvel de seu sistema. O zero estava longe de ser irrelevante para a geometria, como os gregos haviam sugerido. Agora era essencial para ela.

Mais tarde o cálculo mostrou, pela primeira vez, como o zero estava próximo do infinitamente pequeno e como tudo no cosmos poderia mudar sua posição.


Referências:

[1] A História da Matemática - Anne Rooney

Veja mais: 

O Problema dos Quadrados Mágicos
O Quadrado Mágico da Besta  no blog Fatos Matemáticos
Zero: O Número que Tentaram Proibir no blog Infravermelho
Quadrado Mágico de Ordem Ímpar - Parte 1, 2, 3 e 4 no blog Matemágicas e Números

2 comentários:

  1. Salve, Kleber!
    Acho muito interessante estas histórias da Matemática. É legal ficar sabendo como determinados números se tornaram perigosos ou místicos. É o caso também do número 13. Desde que era criança ouvia falar que nos EUA há edifícios que não tem o andar 13. Pulam do 12º andar para o 14º. Particularmente acho uma bobagem.

    Que a igreja já havia se metido na história do zero eu já sabia, mas gostei de ficar sabendo que ela também interferiu no caso do diagrama, que simbolizava o 666. The Number of The Beast. lembrei da música mais famosa do Iron. Na introdução, é lida a passagem bíblica:

    "Woe to you, Oh Earth and Sea, for the Devil sends the beast with wrath, because he knows the time is short...
    Let him who hath understanding reckon the number of the beast for it is a human number, its number is Six hundred and sixty six."

    Grande post!

    Obrigado pela citação do INFRA. Tadinho do meu blog. Tá abandonado. Tô meio desmotivado.

    Abraço, amigo. \ll/_

    (tentei fazer aí o símbolo das mãos, criado pelo saudoso Ron James Dio)

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  2. Olá Jairo! Acredito que ande bastante ocupado, não é? Pois anda sumido... O desânimo é só uma fase. Você tem um ótimo blog e fiéis leitores. Daqui a pouco vem uma ideia e você faz mais uma bela postagem.

    Podemos ver que a igreja sempre esteve presente na ciência, retardando seu desenvolvimento e silenciando as mentes brilhantes. Ainda hoje tem grande força.

    O número 13 está rodeado de simbolismos. Na criação do calendário, vendo a história de sua evolução, ele estava presente. Não me lembro agora, mas os erros do calendário eram atribuídos ao 13, ficando com fama de azarado. É difícil dizer quando começou essa lenda.

    Quanto à música do Iron, realmente é demais, e aquela linha de baixo é fantástica. Até hoje não consigo tocar aquela parte do refrão...

    Valeu Jairo! Um grande abraço!

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