28/10/2026

O Teorema de Van Aubel para quadriláteros

Teorema de Van Aubel para quadriláteros: quadrados construídos sobre os lados de um quadrilátero e segmentos iguais e perpendiculares entre os centros opostos

Considere um quadrilátero qualquer, côncavo ou convexo, sem que haja necessariamente alguma simetria. Construímos quadrados sobre cada um de seus lados e marcamos o centro de cada um. Quando unimos os centros dos quadrados opostos, os segmentos que aparecem possuem o mesmo comprimento e são ortogonais. O resultado é um teorema elegante da geometria plana, justamente porque não exige nenhuma simetria do quadrilátero original.


1. Um pouco de história

O teorema leva o nome do matemático Henricus Hubertus van Aubel, nascido a 20 de novembro de 1830 em Maastricht, Países Baixos e falecido em 3 de fevereiro de 1906 em Antuérpia, Bélgica.

Em 1878 publicou seu estudo na revista belga de geometria Nouvelle Correspondance Mathématique, volume 4, páginas 40-44. Era a época áurea da geometria euclidiana elementar, quando círculos e pontos notáveis do triângulo eram catalogados em ritmo de colecionador.

Embora teoremas envolvendo quadrados construídos sobre os lados de polígonos já fossem populares no século XIX, o teorema é parente direto do teorema de Napoleão: construindo triângulos equiláteros sobre os lados de um triângulo qualquer, os centros formam um triângulo equilátero. Substituindo o triângulo qualquer por quadrilátero e os triângulos equiláteros por quadrados, o resultado deixa de ser “outro quadrado”, mas continua sendo surpreendente: obtêm-se dois segmentos iguais e perpendiculares.

Em uma abordagem contemporânea, os números complexos fornecem uma demonstração especialmente concisa. Essa técnica é explorada, por exemplo, por Tristan Needham em seu livro Visual Complex Analysis, no qual a interpretação geométrica das operações com números complexos desempenha papel central.


2. Enunciado do Teorema de Van Aubel

Seja $ABCD$ um quadrilátero qualquer e sejam $P, Q, R, S$ os centros dos quadrados construídos externamente sobre os lados $AB$, $BC$, $CD$ e $DA$, respectivamente. Então:

$$ PR = QS \quad \text{e} \quad PR \perp QS \tag{1} $$

Ou seja, o quadrilátero $PQRS$ tem diagonais iguais e perpendiculares.

Quadrilátero $ABCD$ com quadrados construídos externamente sobre cada lado. Os centros $P$, $Q$, $R$ e $S$ determinam os segmentos $PR$ e $QS$, que têm o mesmo comprimento (marcas iguais nos dois segmentos) e são perpendiculares (ângulo reto assinalado).

3. Construção geométrica e interpretação visual

A construção pode ser realizada com régua e compasso ou em um programa de geometria dinâmica, como o GeoGebra.

  1. Desenhe um quadrilátero $ABCD$.
  2. Construa um quadrado externamente sobre cada um dos lados $AB$, $BC$, $CD$ e $DA$.
  3. Determine os centros $P$, $Q$, $R$ e $S$ desses quadrados.
  4. Trace os segmentos $PR$ e $QS$, ligando os centros dos quadrados situados em lados opostos.

Ao observar a construção, verificamos que os dois segmentos se cruzam formando um ângulo reto e apresentam o mesmo comprimento.

O aspecto mais interessante do resultado é que ele não depende de o quadrilátero original ser regular, ter lados paralelos ou possuir algum eixo de simetria. A propriedade vale para qualquer quadrilátero, inclusive aqueles com quatro lados de medidas distintas.

Applet interativo: Arraste os pontos $A$, $B$, $C$ e $D$. Os quadrados ficam sempre para fora do quadrilátero.

PR = - QS = - ângulo entre PR e QS = -
Arraste os pontos $A$, $B$, $C$ e $D$. Os quadrados ficam sempre para fora do quadrilátero.

4. Demonstração utilizando números complexos

A demonstração por números complexos é particularmente didática e mostra como a álgebra pode simplificar uma configuração geométrica aparentemente complicada.

A ideia de demonstrar através do plano complexo é uma abordagem particularmente conveniente porque a multiplicação por $i$ representa uma rotação de $90^\circ$ no sentido anti-horário no plano complexo.

Vamos representar os vértices do quadrilátero $ABCD$ pelos números complexos $a$, $b$, $c$ e $d$, respectivamente. Isso é possível porque todo ponto do plano pode ser identificado com um número complexo $z=x+iy$, em que $x$ e $y$ são as coordenadas cartesianas do ponto e $i$ é a unidade imaginária, definida por:

$$ i^2 = -1 \tag{2} $$

O objetivo agora é encontrar o centro de um quadrado construído sobre um dos lados do quadrilátero. Para isso, temos que localizar o ponto médio do lado e, a partir dele, deslocar-se perpendicularmente ao lado por uma distância igual à metade de seu comprimento.

Se os extremos do segmento são representados por $a$ e $b$, seu ponto médio é:

$$ m=\frac{a+b}{2} \tag{3} $$

O vetor que segue de $a$ até $b$ é representado por $b-a$. Multiplicar esse vetor por $i$ equivale a girá-lo $90^\circ$ no sentido anti-horário, sem alterar seu comprimento. Assim, $i(b-a)$ é um vetor perpendicular ao lado $AB$ e de mesmo comprimento que ele. Como o centro do quadrado está a uma distância do lado igual à metade de $AB$, devemos usar apenas metade desse vetor:

$$ \frac{i(b-a)}{2} \tag{4} $$

O centro do quadrado é o ponto médio do lado deslocado de metade do vetor que foi girado. Portanto, adotando uma das duas orientações possíveis (o quadrado construído para um lado ou para o outro de $AB$), o centro do quadrado sobre $AB$ é representado por:

$$ p=\frac{a+b}{2}+\frac{i(b-a)}{2} \tag{5} $$
Segmento AB com ponto médio M, o vetor b−a, o vetor i(b−a) perpendicular a ele e o vetor i(b−a)/2 de M até o centro P do quadrado construído sobre AB.
Centro do quadrado construído sobre o lado $AB$. A partir do ponto médio $M$, desloca-se o vetor $\dfrac{i(b-a)}{2}$, que é a metade de $b-a$, girando $90^\circ$, chegando ao centro $P$.

Aplicando o mesmo raciocínio aos outros lados, obtemos as coordenadas complexas dos quatro centros:

$$ p=\frac{a+b+i(b-a)}{2} \tag{6} $$ $$ q=\frac{b+c+i(c-b)}{2} \tag{7} $$ $$ r=\frac{c+d+i(d-c)}{2} \tag{8} $$ $$ s=\frac{d+a+i(a-d)}{2} \tag{9} $$

Essas expressões pressupõem uma orientação consistente para a construção dos quadrados. Escolher a orientação oposta em todos eles apenas altera o sinal dos termos que contêm $i$ e não modifica a conclusão do teorema.

O vetor que liga $P$ a $R$ é representado pelo número complexo $r-p$. Analogamente, o vetor que liga $Q$ e $S$ é representado por $s-q$.

Sejam $P$, $Q$, $R$ e $S$ os centros dos quadrados construídos sobre $AB$, $BC$, $CD$ e $DA$. Queremos comparar as diagonais do quadrilátero $PQRS$, isto é, os segmentos $PR$ e $QS$. O vetor que liga $P$ a $R$ é representado por $r-p$ e o vetor que liga $Q$ a $S$ por $s-q$. Utilizando os resultados obtidos em $(6)$, $(7)$, $(8)$ e $(9)$, fazemos:

$$ r-p = \frac{c+d + i(d-c)}{2} - \frac{a+b+i(b-a)}{2} \tag{10} $$
$$ r-p = \frac{(c+d-a-b) + i(d-c-b+a)}{2} \tag{11} $$

E:

$$ s-q = \frac{d+a + i(a-d)}{2} - \frac{b+c+i(c-b)}{2} \tag{12} $$
$$ s-q = \frac{(d+a-b-c) + i(a-d-c+b)}{2} \tag{13} $$

Vamos chamar de $u=c-a$ e $v=d-b$ os vetores das diagonais do quadrilátero original. Manipulando o membro da direita dos termos das igualdades $(11)$ e $(13)$, substituímos $u$ e $v$:

$$ (c+d-a-b)+i(d-c-b+a)=\\[1em] (c-a)+(d-b) + i[(d-b)-(c-a)]= $$ $$ (u+v) + i(v-u) \tag{14} $$

E

$$ (d+a-b-c) + i(a-d-c+b)=\\[1em] (d-b) - (c-a) + i[-(d-b)-(c-a)] $$ $$ (v-u) - i(v+u) \tag{15} $$

Assim:

$$ r-p = \frac{(u+v)+i(v-u)}{2} \tag{16} $$

E

$$ s-q = \frac{(v-u)-i(u+v)}{2} \tag{17} $$

Colocando $u$ e $v$ em evidência em cada expressão, encontramos:

$$ r-p = \frac{(1-i)u+(1+i)v}{2} \tag{18} $$

E

$$ s-q = -\left( \frac{(1+i)u - (1-i)v}{2} \right) \tag{19} $$

Multiplicamos a expressão $(18)$ por $i$, obtemos:

$$ i(r-p) = \frac{i (1-i)u + i(1+i)v}{2} \\[1em] i(r-p) = \frac{(i-i^2)u + (i+i^2)v}{2} $$

Como $i^2=-1$, temos:

$$ i(r-p) = \frac{(i+1)u + (i-1)v}{2} $$ $$ i(r-p) = \frac{(1+i)u - (1-i)v}{2} \tag{20} $$

Comparando a $(20)$ com $(19)$, vemos que são iguais, apenas com o sinal trocado. Assim:

$$ i(r-p) = -(s-q) \tag{21} $$
Os vetores r−p (vetor PR) e s−q (vetor QS) com a mesma origem O, formando um ângulo reto. O vetor s−q é o vetor r−p girado 90° no sentido horário, ou seja, s−q = −i(r−p).
Os vetores $r-p$ e $s-q$, representados com a mesma origem. O segundo é o primeiro girado $90^\circ$. Logo, $QS=PR$ e $QS \perp PR$.

Multiplicar um número complexo por $-i$ faz girar o vetor correspondente em $90^\circ$ no sentido horário, sem alterar seu comprimento. Assim, o vetor $\overrightarrow{QS}$ é o vetor $\overrightarrow{PR}$ girado $90^\circ$. Disso, temos duas conclusões:

  1. $QS=PR$, pois a rotação preserva o comprimento
  2. $QS \perp PR$, pois o ângulo entre os dois vetores é reto

Essa demonstração vale para qualquer quadrilátero $ABCD$, sem impor condição alguma sobre os comprimentos dos lados ou sobre ângulos.


5. Exemplo numérico

Para visualizarmos o Teorema de Van Aubel, vamos considerar o quadrilátero de vértices $A(0,0)$, $B(4,0)$, $C(5,2)$ e $D(1,3)$.

Construímos os quadrados sobre os lados do quadrilátero $ABCD$ e determinamos seus centros $P$, $Q$, $R$ e $S$:

Plano cartesiano com o quadrilátero de vértices A(0,0), B(4,0), C(5,2) e D(1,3), quadrados construídos externamente sobre os lados e os centros P(2,−2), Q(11/2,1/2), R(7/2,9/2) e S(−1,2). Os segmentos PR e QS têm o mesmo comprimento e são perpendiculares.

Vamos determinar as coordenadas dos centros dos quadrados para depois podermos calcular os comprimentos dos segmentos $PR$ e $QS$ e verificar a perpendicularidade entre eles.


5.1. Determinando o centro do quadrado sobre $AB$

Usamos a fórmula do ponto médio de um segmento:

$$ M_{AB} = \left( \frac{x_A+x_B}{2} \ , \ \frac{y_A + y_B}{2} \right) \\[1em] M_{AB} = \left( \frac{0+4}{2} \ , \ \frac{0+0}{2} \right) \\[1em] M_{AB} = (2 \ ,\ 0) $$

Como $AB$ é horizontal e possui comprimento $4$, o centro do quadrado está a uma distância $2$ da reta que contém o lado. Assim:

$$ P = (2 \ ,\ -2) $$

5.2. Determinando o centro do quadrado sobre $BC$

Usamos a fórmula do ponto médio de um segmento:

$$ M_{BC} = \left( \frac{x_B+x_C}{2} \ , \ \frac{y_B + y_C}{2} \right) \\[1em] M_{BC} = \left( \frac{4+5}{2} \ , \ \frac{0+2}{2} \right) \\[1em] M_{BC} = \left( \frac{9}{2}\ , \ 1 \right) $$

Para encontrarmos o centro de $Q$ do quadrado sobre $BC$, precisamos determinar quanto e em qual direção devemos deslocar esse ponto.

O vetor $\overrightarrow{BC}$ indica o deslocamento que segue do ponto $B$ ao ponto $C$, e é determinado substituindo as coordenadas dos pontos $B$ e $C$:

$$ \overrightarrow{BC} = \big( x_C - x_B \ , \ y_C - y_B \big) \\[1em] \overrightarrow{BC} = (5-4 \ , \ 2-0) \\[1em] \overrightarrow{BC} = (1 \ , \ 2) $$

Para calcular o comprimento do lado $BC$, usamos o Teorema de Pitágoras:

$$ BC = \sqrt{(x_C-x_B)^2 + (y_C-y_B)^2} \\[1em] BC = \sqrt{(5-4)^2 + (2-0)^2} \\[1em] BC = \sqrt{1^2 + 2^2} \\[1em] BC = \sqrt{1+4} \\[1em] BC = \sqrt{5} $$

Desta forma, o quadrado sobre o segmento $BC$ possui lado igual a $\sqrt{5}$.

A distância do ponto médio $M_{BC}$ até o centro $Q$ do quadrado é igual à metade do lado do quadrado:

$$ M_{BC}Q = \frac{BC}{2} = \frac{\sqrt{5}}{2} $$

O centro $Q$ do quadrado deve estar sobre a reta perpendicular a $BC$ e que passa sobre o ponto médio $M_{BC}$.

Já sabemos que $\overrightarrow{BC}=(1,2)$. Assim, precisamos encontrar um vetor perpendicular a $(x,y)$. Para isso, temos duas possibilidades:

  • Rotação de $90^\circ$ no sentido horário: $(y,-x)$
  • Rotação de $90^\circ$ no sentido anti-horário: $(-y,x)$

Aplicando no vetor $(1\ ,\ 2)$, obtemos:

$$ \overrightarrow{v_1} = (-2,1) \quad \text{e} \quad \overrightarrow{v_2} = (2,-1) $$

Os dois vetores são perpendiculares a $BC$, pois seus produtos escalares com $(1\ ,\ 2)$ são nulos.

Para $\overrightarrow{v_1}$:

$$ (1\ ,\ 2) \cdot (-2\ ,\ 1) = -2 +2 = 0 $$

Para $\overrightarrow{v_2}$:

$$ (1\ ,\ 2) \cdot (2\ ,\ -1) = 2 - 2 = 0 $$

No entanto, precisamos escolher a direção do deslocamento que coloca o quadrado externamente ao quadrilátero.

Os vértices $A$, $B$, $C$ e $D$ estão ordenados no sentido anti-horário, de modo que, ao percorrermos o contorno do quadrilátero, os quadrados sobre os lados ficam sempre do lado direito.

Como estamos percorrendo de $B$ para $C$, devemos escolher o vetor perpendicular que aponta para a direita da direção de $\overrightarrow{BC}$:

$$ \overrightarrow{v} = (2\ ,\ -1) $$

Esse vetor aponta para a direita e para baixo. Para conferir que o sentido está correto, podemos calcular o produto vetorial entre $\overrightarrow{BC}$ e $\overrightarrow{v}$:

$$ \begin{vmatrix} 1 & 2 \\ 2 & -1 \end{vmatrix} = 1(-1) - 2(2) = -1-4=-5 $$

O resultado negativo indica uma rotação no sentido horário de $\overrightarrow{BC}$ para $\overrightarrow{v}$, que é a direção exterior desejada para esse quadrilátero.

No entanto, o vetor $\overrightarrow{v} = (2\ ,\ -1)$ tem o mesmo comprimento do lado $BC$, mas queremos deslocar o ponto médio $M_{BC}$ até o centro do quadrado:

$$ \frac{\overrightarrow{v}}{2} = \left(\frac{2}{2}\ ,\ \frac{-1}{2} \right) $$

Logo:

$$ \frac{\overrightarrow{v}}{2} = \left( 1 \ ,\ \frac{-1}{2} \right) $$

Esse é o vetor que segue do ponto médio $M_{BC}$ até o centro $Q$.

Desse modo, para encontrarmos as coordenadas do centro $Q$, utilizamos:

  • O ponto médio: $M_{BC} = \left(\dfrac{9}{2}\ , \ 1\right)$
  • O vetor de deslocamento: $\left(1 \ , -\dfrac{1}{2} \right)$

Para encontrar o centro, somamos as coordenadas do ponto médio às coordenadas do vetor de deslocamento. Se $M = (x_M \ ,\ y_M)$ e o vetor deslocamento é $(u\ ,\ v)$, então:

$$ Q = \big( x_M + u\ ,\ y_M + v \big) $$

Substituindo os valores:

$$ Q = \left( \frac{9}{2} + 1 \ ,\ 1-\frac{1}{2} \right) \\[1em] Q = \left( \frac{11}{2}\ ,\ \frac{1}{2} \right) $$

5.3. Determinando o centro do quadrado sobre $CD$

Para encontrar o ponto médio do segmento $CD$, usamos a fórmula:

$$ M_{CD} = \left( \frac{x_C+x_D}{2}\ ,\ \frac{y_C+y_D}{2} \right) \\[1em] M_{CD} = \left( \frac{5+1}{2} \ ,\ \frac{2+3}{2} \right) \\[1em] M_{CD} = \left( 3\ ,\ \frac{5}{2} \right) $$

O vetor $\overrightarrow{CD}$ é dado por:

$$ \overrightarrow{CD} = (x_D - x_C\ ,\ y_D - y_C ) \\[1em] \overrightarrow{CD} = (1 - 5 \ ,\ 3-2) \\[1em] \overrightarrow{CD} = (-4\ ,\ 1) $$

Usando a rotação no sentido horário $(y\ ,\ -x)$, obtemos:

$$ \overrightarrow{v} = (1\ ,\ 4) $$

A metade desse vetor é:

$$ \frac{\overrightarrow{v}}{2} = \left(\frac{1}{2} \ ,\ 2 \right) $$

Assim, as coordenadas do ponto $R$ são dadas por:

$$ R = \left( 3+\frac{1}{2}\ ,\ \frac{5}{2}+2 \right) \\[1em] R = \left( \frac{7}{2}\ ,\ \frac{9}{2} \right) $$

5.4. Determinando o centro do quadrado sobre $DA$

Para encontrar o ponto médio do segmento $DA$, usamos a fórmula:

$$ M_{DA} = \left( \frac{x_D+x_A}{2}\ ,\ \frac{y_D+y_A}{2} \right) \\[1em] M_{DA} = \left( \frac{1+0}{2} \ ,\ \frac{3+0}{2} \right) \\[1em] M_{DA} = \left( \frac{1}{2} \ ,\ \frac{3}{2} \right) $$

O vetor $\overrightarrow{DA}$ é dado por:

$$ \overrightarrow{DA} = (x_A - x_D\ ,\ y_A - y_D ) \\[1em] \overrightarrow{DA} = (0-1 \ ,\ 0-3) \\[1em] \overrightarrow{DA} = (-1\ ,\ -3) $$

Usando a rotação no sentido horário $(y\ ,\ -x)$, obtemos:

$$ \overrightarrow{v} = (-3\ ,\ 1) $$

A metade desse vetor é:

$$ \frac{\overrightarrow{v}}{2} = \left( -\frac{3}{2} \ ,\ \frac{1}{2} \right) $$

Assim, as coordenadas do ponto $S$ são dadas por:

$$ S = \left( \frac{1}{2} - \frac{3}{2}\ ,\ \frac{3}{2}+\frac{1}{2} \right) \\[1em] S = \left( -1 \ ,\ 2 \right) $$

5.5. Cálculo dos segmentos $PR$ e $QS$

Vamos calcular os comprimentos dos segmentos que unem os centros dos quadrados opostos.

Para o segmento $PR$, temos:

$$ PR = \sqrt{\left( \frac{7}{2} - 2\right)^2 + \left( \frac{9}{2}+2 \right)^2} \\[1em] PR = \sqrt{\left( \frac{3}{2} \right)^2 + \left( \frac{13}{2} \right)^2} \\[1em] PR = \sqrt{\left( \frac{9}{4}\right) + \left( \frac{169}{4} \right)} \\[1em] PR = \sqrt{\frac{178}{4}} \\[1em] PR = \frac{\sqrt{178}}{2} $$

Para o segmento $QS$, temos:

$$ QS = \sqrt{\left( -1- \frac{11}{2}\right)^2 + \left( 2 - \frac{1}{2} \right)^2} \\[1em] QS = \sqrt{\left( \frac{-13}{2} \right)^2 + \left( \frac{3}{2} \right)^2} \\[1em] QS = \sqrt{\left( \frac{169}{4}\right) + \left( \frac{9}{4} \right)} \\[1em] QS = \sqrt{\frac{178}{4}} \\[1em] QS = \frac{\sqrt{178}}{2} $$

Podemos verificar a perpendicularidade calculando o produto escalar dos vetores $\overrightarrow{PR}$ e $\overrightarrow{QS}$.

Sejam:

$$ \overrightarrow{PR} = \left( \frac{3}{2}\ ,\ \frac{13}{2}\right) \quad \text{e} \quad \overrightarrow{QS} = \left( -\frac{13}{2}\ ,\ \frac{3}{2}\right) $$

Assim:

$$ \overrightarrow{PR} \cdot \overrightarrow{QS} = \frac{3}{2} \cdot \left(-\frac{13}{2} \right) + \frac{13}{2} \cdot \frac{3}{2} \\[1em] \overrightarrow{PR} \cdot \overrightarrow{QS} = -\frac{39}{4} + \frac{39}{4} \\[1em] \overrightarrow{PR} \cdot \overrightarrow{QS} = 0 $$

Como o produto escalar é nulo, os segmentos são perpendiculares.


Referências:
  • https://bibnum.publimath.fr/ALO/ALO12023.pdf
  • https://www.ijpam.eu/contents/2011-66-1/7/7.pdf
  • https://en.wikipedia.org/wiki/Van_Aubel%27s_theorem
  • https://mathworld.wolfram.com/vanAubelsTheorem.html
  • https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/26375451.2026.2652219
  • https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/35081/1/2018_BrenoRamiresVargasdaSilva.pdf
  • https://books.google.com.br/books?id=10A0AQAAMAAJ&pg=PA40&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false
COMO REFERENCIAR ESSE ARTIGO: Título: O Teorema de Van Aubel para quadriláteros. Publicado por Kleber Kilhian em 28/10/2026. URL: . Leia os Termos de uso.


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